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Emile Zola

23 fev

zolaO filme se passa em 1862 e conta sobre a vida do escritor francês Emile Zola, de como ele saiu de uma vida sem muitas riquezas e no anonimato para uma vida confortável e muita fama.

Vivia num cômodo em Paris que era dividido com o amigo Paul Cezanne, pintor francês. Mas, viu sua vida ter indicio de melhoras quando recebe a notícia de sua mãe e futura esposa que conseguiu trabalho numa editora conhecida. Tem seus textos publicados, mas que não agrada à todos, pois tem conteúdos críticos ao governo, por isso é demitido.

Sentado num bistrô com seu amigo Paul conhece Nana, uma mulher que fugia das represálias na polícia. Passa conhecer toda a sua história e decide escrever sobre ela. Surge o primeiro sucesso. Publica vários livros, porém um chama a atenção do exército que contata a censura.  Zola é noticiado, mas por já ter uma certa fama consolidada, continuou escrevendo sobre o que gostava.

Depois de ver que o velho amigo havia mudado Paul parte para o campo e o critica. Zola não era mais aquele escritor que procurava relatar a realidade nua e crua. A riqueza o tinha deixado acomodado.

Enquanto isso, um capitão do exército é preso acusado injustamente de traição. Ele é humilhado e deportado para uma ilha longe da França.

Após 3 anos, Picquart, chefe de inteligência, resolve reabrir o caso e descobre que o capitão Dreyfus era, realmente, inocente. Porém, para não sujar a imagem do exército diante de seu povo, o general o proíbe de falar sobre o caso e manda o chefe, como prisioneiro, para África e inocenta por completo o real culpado para que suspeitas não surjam e o caso acabe no ostracismo.

Porém, no mesmo dia em que recebe uma carta aceitando sua candidatura à membro da Academia Francesa, surge uma visita, Madame Dreyfus, esposa do preso inocente. A visita tinha o objetivo de conseguir a ajuda de Zola para, enfim, conseguir o reconhecimento da inocência do marido. No primeiro momento, refutou, mas depois de pensar um pouco resolveu aceitar o desafio.

No dia seguinte publica no jornal uma carta endereçada ao Presidente da República construída a partir das novas provas que tinha recebido e mostrando novas acusações. O exército toma conhecimento e alguns dos seus vão às ruas para desacreditar Zola, fazer com o que os franceses não acreditassem nele.

Zola vai a julgamento. É condenado a um ano de prisão. Amigos, então, convencem-no de ir à Londres, pois lá poderia continuar escrevendo sobre o caso.

Depois de um certo tempo, um novo chefe de inteligência assume e o culpado é forçado a assumir o crime. Zola recebe as notícias pelos jornais britânicos.

“A verdade está em marcha e nada a deterá”.

Dreyfus, enfim, é solto e, no dia de sua re-investidura, recebe uma notícia da morte de Zola.

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=RcDQlgRWJck%5D

 

É um belo filme em preto e branco, de 1938, dirigido por William Dieterle (1893 – 1972) que raramente são assistidos hoje em dia ou por preconceito, ou por desconhecimento, entre outros. Nele, como em outros filmes da época, vemos como a estética é diferente dos atuais. Percebo, claramente, a diferença na interpretação dos atores que, antes, eram mais dramáticos, a interpretação era evidenciada, sequências mais longas e num ritmo mais lento.

Passa uma bela mensagem aos que querem, ou trabalham, com a notícia. Zola foi um escritor que gostava de retratar a pura realidade, a podridão que cercam os altos poderes, a miséria da população, mostrar que nem tudo é um mar de rosas. E que, para isso, é capaz de perder o emprego em prol de sua liberdade de expressão, integridade e ética.

Difícil achar uma posição negativa sobre ele. Não sei se à um idealismo ferrenho ao ponto de perder um emprego por uma causa, pois não seria um boa estratégia hoje em dia, ou à, simplesmente, pelo fato do seu desconhecimento pela maioria da população. Mas aí não seria uma crítica à ele, e sim,  à nós que deixamos de prestigiar o cinema antigo e clássico.

Então deixo essa tarefa à você! Deixe aqui as suas impressões do filme.

• Direção: William Dieterle
• Roteiro: Norman Reilly Raine (roteiro)Heinz Herald (roteiro, história)Geza Herczeg (roteiro, história)Matthew Josephson (material de pesquisa)
• Gênero: Drama
• Origem: Estados Unidos
• Duração: 116 minutos

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O Marco Regulatório e a fuga do subúrbio

29 nov

Seis de janeiro de 2012 é a data que deu início à mais nova jornada da minha vida. Comecei a cursar Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. À princípio, senti uma certa estranheza, nova área, novo setor, novas disciplinas, novos amigos. Mas nada que não tenha sido superado.

Do começo até hoje, prestes à finalização do semestre, passamos por algumas experiências maravilhosas.  E, como objetivo deste texto é abordar algum tema levantado por Caclini no seu livro, “Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização”, pegarei como exemplo a mais marcante, na minha humilde opinião.

Na primeira semana de outubro (1 a 5) aconteceu a I Semana de Comunicação (SECOM), com palestras, oficinas, mesas redondas, entre outras, envolvendo os cursos de Comunicação Social da UFRN. E, logo no primeiro dia, na palestra de abertura tivemos a presença do professor da USP e apresentador do VerTv (Tv Câmara), Lalo Leal, com o tema “50 anos do curso de comunicação da UFRN: debatendo o Marco Regulatório das Comunicações”.

Assim como Canclini defende no seu livro uma produção midiática cultural mais local de acordo com a diversidade de gostos, tradições e identidades urbanas, vimos, também, como sendo uma das preocupações do Marco Regulatório, além de resguardar a criação de agências reguladoras, redefinir o uso do espectro eletromagnético, proibir a outorga para políticos, entre outros pontos.

Os espaços públicos de divertimento como teatros, cinemas, espetáculos, vem sendo substituído por espaços privados como aparelhos de dvd’s, internet e, principalmente, a televisão. Esta última presente em 9 de cada 10 casas e, por ser, ainda, essa detentora de maior amplitude domiciliar possui um certo poder de influência no dia a dia da população refletindo na formação cultural de um povo. E o que vemos nos canais, e não é de hoje, uma forte influência estrangeira e, de certa forma, mais valorizada.

O Marco viria, então, preocupar-se com uma TV mais pública, mais democrática e coerente com as culturas locais. Existiria mais produções e veiculações nacional e regional o que seria uma forma de manter uma identidade cultural e não ser apenas um “subúrbio norte-americano”, como coloca Canclini.